1943 - É criada a Intendência-Geral de Abastecimentos, tutelando a burocracia encarregue do circuito de bens essenciais, da produção ao consumo. "Longe de clarificar e simplificar os processos,a Intendência-Geral de Abastecimentos foi uma nova cabeça criada à hidra burocrática, que viria agravar demoras, confusões e duplicações numa conjuntura alimentar já de si muito grave." (ROSAS, Fernando, O Estado Novo (1926-1974), sétimo volume, José Mattoso (dir) História de Portugal). A criação da Intendência foi anunciada na conjuntura das greves.
Naquele ano havia-se agravado o abastecimentos de bens ao país em consequência dos efeitos da 2ª Guerra Mundial na economia portuguesa, pelo que alguns géneros estavam sujeitos a racionamento. A tarefa de coordenar e superintender esse racionamento cabia à IGA. Mais tarde, com o surgimento da IGAE, as competências foram reforçadas, e matéria de prevenção e promoção da repressão das infrações antieconómicas e contra a saúde pública. A IGAE era órgão de polícia criminal (OPC) e os seus inspetores, devido à natureza das suas funções que lhes estavam investidas, tinham uso e porte de arma de fogo distribuída pelo Estado.
Primogénito de dois filhos de António Xavier Crato (Guiné, 15 de Setembro de 1849 - ?), tio-bisavô de Nuno Crato, e de sua mulher (Lisboa, Santa Isabel) Maria Amélia de Almeida de Carvalho (Elvas, Assunção - ?), e neto paterno de José Xavier Crato.
Fez o curso da Escola Politécnica de Lisboa, depois os da Escola Naval, de Torpedos e Electricidade e complementar Naval de Guerra, sempre com grandes distinções.
Oficial da Marinha de Guerra, atingiu os postos de Capitão-de-Fragata e de Capitão-de-Mar-e-Guerra.
Iniciado na Maçonaria em data e Loja desconhecidas com o nome simbólico de Fernão de Magalhães, e filiado, em data desconhecida de 1910, na Loja Irradiação, de Lisboa, pertenceu, depois, à Loja Liberdade e Justiça, também de Lisboa, todas afectas ao Grande Oriente Lusitano Unido.
Casou em Lisboa, no 3.º Bairro, a 30 de Janeiro de 1915, com Margarida de Barros Pereira de Carvalho (Marco de Canaveses, São Clemente de Sande, Casa da Mogada, 21 de Maio de 1892 - Marco de Canaveses, São Clemente de Sande, Casa da Mogada, 26 de Março de 1968), Senhora da Casa da Mogada, em São Clemente de Sande, Guimarães, da qual não teve descendência.
O mais novo de cinco irmãos viajou sozinho para Angola com apenas 14 anos. E desde então o trabalho nunca faltou. Começou nessa altura a desenhar-se uma vida que percorreu continentes e criou um negócio que ainda hoje controla maioritariamente - o Banif.
O fundador do Banif, em 1988, não era, ao contrário do que muita gente pensa, madeirense. Nasceu em Oleiros, perto de Castelo Branco, e orgulhava-se do mundo agrícola onde nasceu, mas queria mais. Quis o destino e a ambição que o acompanhou na sua caminhada pela vida que saísse da sua aldeia aos 14 anos em direcção a Angola, onde tinha uma irmã. Com 18 anos, quatro anos depois de ter chegado a Angola, criou uma empresa. De 1958 a 1976 ficou por Angola.
Em 1977 rumou de Angola à África do Sul, onde desenvolveu os seus negócios que passavam por assumir participações em empresas de diversos sectores da economia. Três anos depois começou a investir em Portugal. A sua ligação à Madeira resultou da amizade que desenvolveu com Joe Berardo e que o levou a fundar o Banif, com sede no Funchal.
Homem de negócios, espalhados pelos quatro cantos do Mundo, pioneiro em diversos sectores, coleccionador de arte e filantropo, nasceu a 4 de Julho de 1944, numa Madeira conservadora e onde a pobreza era lugar-comum. Natural da freguesia de Santa Luzia, Funchal, é o mais novo de sete irmãos e o segundo a receber o nome Berardo, depois da família, em 1931, ter perdido todas as suas economias com a falência do Banco Henrique Figueira. Em 1939, a família Gomes, estava já restabelecida desse contratempo financeiro e muda-se para a nova casa, na freguesia de Santa Luzia, onde viriam a nascer Jorge e José, que, num verdadeiro corte com o passado, foram baptizados como Berardo, um dos nomes de família que nunca havia sido utilizado.
Filho de Manuel Berardo Gomes, homem respeitado e com grande apreço pelos princípios morais, que embora não soubesse ler nem escrever, fazia contas em numeração romana, e de Ana Rodrigues Gomes, doméstica, natural da freguesia do Monte, e profundamente religiosa, José Manuel Berardo considera que é uma dádiva estar vivo, pois nasceu quando a mãe tinha 46 anos.
A família progrediu, e apesar da capacidade económica não ser a mais favorável, Berardo fez a 4ª classe, no Externato de São Luís. Instituição sedeada em Santa Luzia, e gerida pela família Veríssimo, uma estirpe de classe média-alta, que promoveu a educação dos mais carenciados até aos anos 70. Nunca perdeu um ano lectivo, mas diz ter aprendido apenas a ler, escrever e fazer contas. Terminou a escola primária e, ainda, frequentou um curso de contabilidade, durante um ano e meio, na Rua da Carreira, uma das principiais artérias da cidade do Funchal.
Aos 12 anos começou a trabalhar na Madeira Wine Company, onde trabalhava o seu pai, como loteador, e havia trabalhado o avô e um tio. Além de rotular garrafas, era paquete e servia chás e cafés nas reuniões do Conselho de Administração. Através de conhecimentos, que travou nessa altura, com pessoal dos navios, começa a comercializar artigos vindos de fora, junto aos quadros superiores da empresa, e pouco tempo depois, ganhava já mais, do que seu pai.No entanto, isso não era suficiente, para a sua ambição. A chegada à Ilha de emigrantes vindos do Brasil, Venezuela e África do Sul, com grandes condições, fizeram com que José Berardo quisesse fazer vida noutro país.
Contrariando a vontade do pai, elegeu o continente africano, visto ser o único onde não tinha familiares, pois a sua ideia, era começar uma vida completamente nova e à sua maneira. Esperou até aos 18 anos para prosseguir o seu sonho, e o país eleito foi a África do Sul, embora não falasse inglês. Estávamos em 1963, quando embarcou com mais 40 rapazes da sua idade, no Moçambique, um navio pertencente à Companhia Colonial de Navegação, que julgavam ser de militares para a guerra do Ultramar. Contudo, esperava-os afinal, centenas de mulheres, que Salazar expulsara de Portugal, como resultado da política de proibição das Casas de Lazer. A viagem até Lourenço Marques, actual Maputo, tornara-se assim memorável. Porém, à chegada, os 40 madeirenses viram os seus documentos cancelados. De todos, José Berardo foi o único que não “saltou” a fronteira para a África do Sul, preferindo aguardar seis meses pelos documentos, e entrar de forma legal no país, que haveria de considerar a sua pátria adoptiva. Enquanto aguardava, não ficou parado, arranjou emprego na loja de um italiano e, rapidamente, começou a ganhar dinheiro vendendo electrodomésticos aos indianos.
Rumou com destino a Joanesburgo, em Novembro de 1963. Chegado à cidade faltavam percorrer 400 quilómetros dentro de um camião sem condições, para começar o trabalho na apanha de legumes. Em Orange Free State, numa quinta longínqua, começara uma nova odisseia, a adaptação à cultura, aos costumes e ao trabalho. Dominar as línguas nativas, o afrikaans e o inglês, levou-lhe quatro anos. Dos serviços agrícolas pouco fez, porque velozmente passou para as lojas e num pulo chegou a gerente. O patrão queria vê-lo ficar por ali, mas o destino era a cidade grande, Joanesburgo. Beneficiando do contacto com um comerciante português de legumes, Manuel Teixeira, chegou à maior cidade da África do Sul. Em pouco tempo, fez sociedade com o patrão e vendia legumes, ele próprio, aos trabalhadores das minas.
A par dos negócios, também os afectos de José Berardo nasciam em Joanesburgo. Carolina Gonçalves, natural da África do Sul, mas filha de pais madeirenses, José Gonçalves e Alzira Mota Gonçalves, foi a escolhida. Em 1969 começou uma paixão que dura até hoje. Um típico caso de amor à primeira vista, que tirou Berardo, de uma assumida vida de boémia.
O ano de 1969 seria de viragem nas prioridades de Berardo. Casado com Carolina, em primeiro lugar manteve o trabalho, em segundo a família, e logo a seguir situou os amigos.
Em 1971, nasce o primeiro filho do casal, Renato. Tendo estudado Gestão na Universidade de Huron, em Londres, o primogénito, é hoje o braço direito do pai, nas muitas empresas do império Berardo. Treze meses depois nasce Cláudia, a filha mais nova, que após ter terminado os estudos na capital britânica, se dedicou ao estudo e divulgação das diversas colecções de arte, uma paixão, partilhada por toda a família.
Com família constituída e integrado socialmente, José Berardo, continua a desenvolver negócios próprios, ainda que, de dimensão limitada até 1978. Entretanto, a venda de produtos alimentares para as minas de Joanesburgo, e o seu contacto com o sector mineiro, faz recair, cada vez mais, a atenção nas antigas minas abandonadas. Onde alguns viam entulho, Berardo via ouro. E tinha razão. A reciclagem dos desperdícios de ouro parecia economicamente viável, e não hesita. Compra as minas abandonadas e reinicia a sua exploração, aproveitando as novas tecnologias existentes.
A decisão de participar neste sector criou conflitos familiares e com amigos, que consideravam a actividade dimensionada para multinacionais. Mas nada o demoveu dos seus propósitos, fundamentado num fortíssimo pressentimento e intuição, que o preço desse metal precioso iria aumentar. De facto, em relativamente pouco tempo, viria a ser considerado um dos maiores proprietários de reservas de resíduos auríferos à superfície, em Joanesburgo. Tal como havia previsto, o preço do ouro teve uma subida galopante e, em pouco tempo, as multinacionais propunham-lhe Joint Ventures. Berardo forneceria a matéria-prima e eles reactivariam as refinarias que estavam fechadas por falta de resíduos.
O seu primeiro grande negócio surge, exactamente, nesta fase da sua vida. Instalado na propriedade, que pertencia a Henry Opparman, um rico empresário sul-africano, oferece 40% dos ganhos ao empresário e fica com os restantes 60%, fazendo assim, o seu primeiro milhão, sensação que nunca esquecerá.
Com perseverança, foi resistindo às pressões das multinacionais e concluía as Joint Ventures nas condições de participação, que previamente definia, concedendo-lhe um sucesso instantâneo.
Torna-se proprietário de quatro refinarias de ouro e avança para as minas de diamantes. Inicia-se no ramo da banca e o passo seguinte seria o mercado accionista. Bebendo os ensinamentos de Óscar Gatez, um advogado judeu de quem se tornou muito amigo, aprendeu rapidamente a negociar na Bolsa de valores. Da amizade, ficou em herança, um lema que tem norteado a sua vida: “todo o investidor tem obrigação de fazer o bem na sua comunidade”. É com base neste princípio, que irá surgir, anos mais tarde, a Fundação Berardo, uma Instituição Particular de Solidariedade Social, virada, essencialmente, para a educação, saúde e cultura.
As oportunidades de negócio seguiam-se a bom ritmo na África do Sul. Após o ouro e os diamantes, chegou o petróleo, os mármores e granitos, as telecomunicações, o material informático (chips), o papel, e até o cinema, empregando mais de dez mil colaboradores.
Presidente do Bank of Lisbon and South Africa, perfeitamente, integrado na comunidade e com a convicção de que seria aquela a terra da sua família, a situação política apelava à sua participação. Assim, acaba por aceitar o convite para fazer parte do Conselho Consultivo do Presidente da República, que era constituído por vinte e duas personalidades, sendo o único e primeiro estrangeiro desse Conselho.
Convicto que iria contribuir para acabar com o sistema de segregação racial, assume-se contra o Apartheid, e opta por actuar dentro do Partido Nacional, com o intuito de pôr fim ao regime. Tomando um papel activo, no país que o tinha recebido como filho da terra, lutou contra um dos maiores e mais cruéis, procedimentos de discriminação que o Mundo tem memória.
Em 1979 recebe o grau de Comendador, pela Ordem do Infante D. Henrique, entregue pelo, então chefe de estado, General Ramalho Eanes. A condecoração é atribuída pela ajuda prestada à comunidade portuguesa na África do Sul, durante largos anos, distinguindo o empreendedor, o self made man.
Na segunda metade dos anos 80, decide diversificar a localização das suas actividades. Intensificam-se, então, as viagens ao Canadá, a Portugal e à Austrália, para onde expandiu o negócio mineiro. No Canadá opera com o gás natural e com os vinhos.
Entretanto, na África do Sul, a violência era constante. Uma visita do presidente do Governo Regional da Madeira, Alberto João Jardim, acaba por marcar diversos empresários, entre os quais Berardo, que sente o apelo à terra natal. Numa aproximação a Portugal, sobretudo à Madeira, José Berardo, e o seu amigo Horácio Roque, compram uma empresa da indústria tabaqueira, em 1987.
No Funchal, seguiu-se a compra da Quinta do Monte Palace, há muito penhorada e votada ao abandono. A 12 de Novembro de 1988 é instituída a Fundação José Berardo, entidade a quem José Berardo doou a Quinta. Estavam assim criadas as condições, que iriam permitir mobilizar a energia e os meios necessários à recuperação do património edificado e ambiental.
O grande fascínio, e a tal paixão pela Natureza, impeliram Berardo e sua família, a se dedicarem, pessoalmente, e com ajuda de especialistas, a essa grande obra. Procurando inspirar-se na própria história da Quinta do Monte Palace, reforçando a natureza romântica das suas origens e arquitectura, levaram à concretização do sonho, pegar num jardim em estado de abandono e transformá-lo num Jardim Tropical. A ideia de Jardim Tropical, à semelhança dos jardins botânicos tão ao gosto do século XIX, instala a vontade de sonhar com mundos diferentes, onde se podem observar, em simultâneo, um painel da biodiversidade do património natural madeirense e colecções de espécimes botânicos oriundos de vários continentes, com destaque para oliveiras milenares transplantadas de zonas que seriam, mais tarde, inundadas pela construção da barragem do Alqueva. À flora madeirense, juntou-se plantas vindas da Ásia; azáleas da Bélgica; urzes da Escócia; uma rara colecção de cicas, provenientes da África do Sul; esculturas ocidentais e orientais; uma colecção de azulejos do séc. XVI ao XX, entre outros, que foram dados a conhecer ao público, no dia 5 de Outubro de 1991. O Jardim Tropical Monte Palace constitui, hoje, um património histórico e vivencial fundamental. É um lugar exuberante, uma homenagem aos descobrimentos portugueses com presenças dos quatro cantos do Mundo, que tem sido aumentado, ao longo dos anos.
A Fundação que preside atribui, também, bolsas de estudo a estudantes madeirenses que frequentam cursos superiores fora da Região Autónoma da Madeira, para além de prosseguir com fins sociais, caritativos, educativos, artísticos e científicos, dedica-se ainda, com grande e particular empenho, à salvaguarda e preservação de obras de arte, assim como, à defesa e protecção do meio ambiente.
Na década de 1990, seguiam-se os negócios em Portugal. Adquire títulos de comunicação social e participações nos sectores turístico, imobiliário, alimentar e tabaco. Não esquece o sector financeiro e funda o Banif. Retomando uma paixão antiga investe no sector dos vinhos, tanto na cultura agrícola como na produção vinícola.
Mas, os anos 90 seriam, essencialmente, marcados pelo crescimento da Colecção de Arte Moderna e Contemporânea. É com ajuda de Francisco Capelo, responsável pelas aquisições e pela orientação inicial da Colecção, que o espólio começou a tomar forma. O objectivo inicial era constituir uma colecção de arte contemporânea internacional, que seguisse os critérios historiográficos e cronológicos tradicionais, assumindo-se como uma ilustração metódica e sistemática das diferentes correntes, tendências, linhas de investigação e trabalho que se foram sucedendo, na Europa e nos EUA, desde o final da II Guerra Mundial até à actualidade. A organização da Colecção, em blocos cronológicos e por tendências, corresponde ao que seria a estrutura normal de um livro de história de arte da segunda metade do século XX.
Considerado pela Art Review uma das pessoas mais influentes no mundo da arte, Berardo tem como principal motivação contribuir, cada vez mais, para uma abertura que sistematize encontros entre o grande público e a arte, ambicionando, que o coleccionismo possa ser partilhado por todos, como enriquecimento da actividade humana, fomentando o gosto e o deleite de desfrutar a arte.
No “império Berardo” o sol nunca se põe. Há negócios em todo o mundo, ou quadros expostos em vários museus, ou investimentos nas bolsas de Lisboa, Nova Iorque ou Tóquio. Não anda com muitos papéis mas está sempre actualizado. Nenhum pormenor lhe passa ao lado. Visita as suas empresas, museus e jardins com regularidade e gosta de se sentar com os seus colaboradores, quer seja nas salas de reuniões, num recanto dos seus jardins, nas caves e adegas, ou nas reservas de obras de arte. Gosta de sentir o pulso das instituições que lidera.
Em 2007, lançou a primeira Oferta Pública de Aquisição sobre um clube de futebol em Portugal. Queria comprar 85% das acções do clube da Luz, o Sport Lisboa e Benfica, mas apenas obteve a manifestação de vontade de cerca de 1,5%. No mesmo ano, é-lhe consentida a Medalha Tiradentes, pelo deputado Jorge Picciani, Presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro. Medalha destinada a agraciar civis e militares, que se destaquem pelo seu valor pessoal, e tenham prestado relevantes serviços à causa pública do Estado do Rio de Janeiro. No caso de Berardo, esta condecoração fica a dever-se à ligação com a área cultural. Pela mesma ocasião, em Maio de 2007, foi-lhe, ainda, concedido o Título de Cidadão Honorário do Estado do Rio de Janeiro.
O Dr. João Morais Leitão nasceu em 1938, em São Pedro (Covilhã).
Frequentou o Colégio Militar entre 1948 e 1953.
Licenciou-se em Direito pela Universidade de Lisboa e inscreveu-se na Ordem dos Advogados em 1962.
26/02/1958 - Cavaleiro da Classe de Mérito Industrial da Ordem do Mérito Agrícola e Industrial
Formação académica:
1985-1990 Licenciatura em Gestão no ISCTE
1995 MBA no INSEAD
Dono da Casa do Porto (Santa Margarida, Lousada)
O Teatro Nacional abriu as suas portas a 13 de abril de 1846, durante as comemorações do 27.º aniversário da rainha Maria II (1819-1853), passando por isso a exibir o seu nome na designação oficial. Na inauguração, foi apresentado o drama histórico em cinco atos O Magriço e os Doze de Inglaterra, original de Jacinto Aguiar de Loureiro. Mas a história do Teatro Nacional D. Maria II começa dez anos antes da sua inauguração.
Na sequência da revolução de 9 de setembro de 1836, Passos Manuel assume a direção do Governo e uma das medidas que tomou nesse mesmo ano foi encarregar, por portaria régia, o escritor e político Almeida Garrett de pensar o Teatro português em termos globais e incumbi-lo de apresentar "sem perda de tempo, um plano para a fundação e organização de um teatro nacional, o qual, sendo uma escola de bom gosto, contribua para a civilização e aperfeiçoamento moral da nação portuguesa”.
Por esse mesmo decreto, Almeida Garrett ficou encarregue de criar a Inspeção-Geral dos Teatros e Espetáculos Nacionais e o Conservatório Geral de Arte Dramática, instituir prémios de dramaturgia, regular direitos autorais e edificar um Teatro Nacional "em que decentemente se pudessem representar os dramas nacionais".
O ambiente romântico que se vive nesta altura em toda a Europa determina a urgência em encontrar um modelo e um repertório dramatúrgicos nacionais, ou seja, o aparecimento de um teatro (e de um repertório) nacional era uma questão não só cultural como, sobretudo, política e assumida como um assunto estreitamente ligado à própria independência da nação, que saíra de tempos conturbados após as invasões francesas e as lutas liberais.
Entre 1836, data da criação legal do teatro, e 1846, data da sua inauguração, o já existente e decrépito Teatro da Rua dos Condes funcionou como provisório Teatro Nacional. Após muita polémica, o local escolhido para instalar o definitivo Teatro Nacional foram os escombros do palácio dos Estaús, antiga sede da Inquisição e que, também em 1836, tinha sido destruído por um incêndio. A escolha de um arquiteto italiano, Fortunato Lodi, para projetar e executar o Teatro Nacional não foi isenta de críticas e só em 1842 Almeida Garrett consegue dar início às obras.
Durante um largo período de tempo, o Teatro Nacional foi gerido por sociedades de artistas que, por concurso, se habilitavam à sua gestão. Após a implantação da República, passou a chamar-se Teatro Nacional de Almeida Garrett. A gestão mais duradoura foi a de Amélia Rey Colaço / Robles Monteiro, que permaneceu no teatro de 1929 a 1964, mas a mais célebre terá sido a da companhia Rosas e Brasão, entre 1881 e 1898, durante a qual foi ousada uma mudança de reportório (primeiras criações de peças de Shakespeare em Portugal).
Em 1964, o Teatro Nacional foi palco de um brutal incêndio que apenas poupou as paredes exteriores e a entrada do edifício. O edifício que hoje conhecemos, e que respeita o original estilo neoclássico, foi totalmente reconstruído e só em 1978 reabriu as suas portas.
Em março de 2004, o Teatro Nacional D. Maria II foi transformado em sociedade anónima de capitais públicos, passando a ser gerido por administração própria e sujeito à superintendência e tutela dos Ministérios das Finanças e da Cultura. Em 2007, o TNDM II foi integrado no sector empresarial do Estado.