Domingos do Espírito Santo Alvão nasceu na freguesia da Lapa, no Porto, em 1869, e faleceu na mesma cidade em 1946. O pai de Domingos Alvão, Francisco Júlio Alvão, de Vila Real, era então barbeiro – será mais tarde funcionário das finanças. A mãe, Corina de Jesus Alvão, natural de Santo Ildefonso, da cidade do Porto. O fotógrafo teve como padrinho um capitalista da Rua dos Bragas, o comendador Domingos José Ramos de Faria, do qual herdou o primeiro nome.
Ainda muito novo foi trabalhar para a Casa Biel, já então na Rua do Bolhão, no palacete, onde estavam sempre hasteadas as duas bandeiras, a de Portugal e a da Alemanha. Depois de ter passado um breve período de estágio em Madrid, Domingos Alvão entrou, na viragem do século, como operador-gerente, para o também conhecido estabelecimento na Rua de Santa Catarina, nº120, do capitalista Leopoldo Cyrne, o Foto-Velo Clube e habituou os portuenses às suas fotografias de artistas, senhoras e homens da sociedade que captava no Teatro Príncipe Real ou nos salões do burgo, expondo-as nas vitrinas da Tabacaria Africana, ao cimo da Rua de 31 de Janeiro.
Domingos Alvão participou em 1901 na Exposição Internacional de Leipzig e em 1907 recebeu um Diploma de Mérito no Concurso Mundial de Fotografia Artística e Científica em Turim, Itália, que tinha o patrocínio da Princesa Maria Letícia de Sabóia. As imagens que Domingos Alvão enviou ao concurso em Leipzig e Turim faziam parte de uma recolha de cerca de 700 clichés a que ele dedicava parte do seu tempo; tratavam-se de fotografias sobre paisagens e costumes do Minho e Douro Litoral, encenadas de forma a corresponderem aos objectivos artísticos do pictorialismo. Com a série Quadros da Paisagem Artística e Costumes Portugueses, concorreu e expôs em mostras, no Porto, Lisboa, Panamá, etc., iniciando a sua enorme série de prémios nacionais e internacionais. As fotografias da Fotografia Alvão eram muitas vezes procuradas para representarem o país nas paredes das embaixadas no estrangeiro.
Domingos Alvão ganhou um Diploma de Honra e uma medalha de ouro na Exposição Nacional das Artes Gráficas, na Imprensa Nacional, em Lisboa, 1913. Em 1914 fez a sua primeira grande exposição, com cerca de 100 imagens. O êxito é tal que a repetiu em Lisboa, no Salão da Illustração Portugueza, d’ O Século, desta vez com cerca de 200 fotografias.
A Fotografia Alvão continuou a ganhar prémios, em 1915 o Grand Prix na Exposição do Panamá; a medalha de prata da Exposição de Artes Gráficas de Leipzig, na Exposição Nacional de Fotografia de Novembro/Dezembro de 1916, da Sociedade de Belas Artes de Lisboa, promovida pela revista Arte Photographica, em 1917, Lisboa; na Sociedade Nacional de Belas-Artes, em 1923 na Exposição Internacional de Centenário da Independência do Brasil, no Rio com fotografia colorida; em 1925 a medalha de ouro da Exposição Nacional de Fotografia, realizada nos Armazéns Grandela.
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