Mário Soares é filho de João Lopes Soares, professor, pedagogo e político da Iª República, e de Elisa Nobre Soares.
Casou com Maria de Jesus Simões Barroso Soares em 1949, falecida em 7 de julho de 2015. Tiveram dois filhos, Isabel Soares, psicóloga e directora do Colégio Moderno, e João Soares, advogado e deputado à Assembleia da República, e cinco netos - Inês, Mafalda, Mário, Jonas e Lilah.
Desde os tempos de estudante universitário foi um activo resistente à ditadura. Iniciou então um longo e persistente combate que o levou a estar presente e activo na organização da oposição democrática ao salazarismo. Pertenceu ao MUNAF (Movimento de Unidade Nacional Anti-Fascista), em Maio de 1943, e, depois, foi membro da Comissão Central do MUD (Movimento de Unidade Democrática), sob a presidência do Prof. Mário de Azevedo Gomes (1946), tendo sido fundador do MUD Juvenil e membro da primeira Comissão Central. Foi Secretário da Comissão Central da Candidatura do General Norton de Matos à Presidência da República, em 1949. Integrou o Directório Democrático-Social (1955), dirigido por António Sérgio, Jaime Cortesão e Azevedo Gomes e, em 1958, pertenceu à Comissão da Candidatura do General Humberto Delgado à Presidência da República.
Como advogado defensor de presos políticos participou em numerosos julgamentos, realizados em condições dramáticas, no Tribunal Plenário e no Tribunal Militar Especial. Representou a família do General Humberto Delgado na investigação do assassinato daquele antigo candidato à Presidência da República, tendo contribuído decisivamente para desvendar as circunstâncias e denunciar as responsabilidades nesse crime cometido pela polícia política de Salazar (PIDE).
Foi membro da Resistência Republicana e Socialista, na década de 50, redactor e signatário do Programa para a Democratização da República em 1961, tendo sido candidato a deputado pela Oposição Democrática em 1965 e pela CEUD, em 1969.
Em resultado da sua actividade política contra a ditadura foi 12 vezes preso pela PIDE (cumprindo um total de quase 3 anos de cadeia), deportado sem julgamento para a ilha de S. Tomé (África) em 1968 e, em 1970, forçado ao exílio em França.
Em 1973, no Congresso realizado em BadMünstereifel, na Alemanha, a Acção Socialista Portuguesa, que fundara em 1964, transformou-se em Partido Socialista, do qual Mário Soares foi eleito Secretário-Geral e sucessivamente reeleito no cargo ao longo de quase treze anos.
Actividade Política após o 25 de Abril
Em 25 de Abril de 1974, Mário Soares estava no exílio em França, de onde regressou a Portugal no dia 28, tendo chegado a Lisboa no depois chamado "combóio da liberdade".
Passados poucos dias, foi enviado pela Junta de Salvação Nacional às capitais europeias para obter o reconhecimento diplomático do novo regime democrático.
Participou nos I, II e III Governos Provisórios, como Ministro dos Negócios Estrangeiros, e no IV, como Ministro sem Pasta, de que se demitiu em protesto pelo chamado "caso República" e pela crescente tentativa de perversão totalitária da revolução, abrindo-se assim a crise governamental que levou à queda desse Governo e, depois, à contestação ao V Governo Provisório e à demissão de Vasco Gonçalves, período que ficou conhecido por "verão quente" (1975), em que tiveram lugar o célebre comício da Fonte Luminosa, ao qual acorreram muitas centenas de milhares de pessoas em protesto contra a ameaça de uma nova Ditadura, e, mais tarde, o "25 de Novembro", movimento militar que repôs o espírito original e democrático da Revolução de Abril.
Como Secretário-Geral do PS participou em todas as campanhas eleitorais, tendo sido deputado por Lisboa em todas as legislaturas, até 1986. Em consequência da vitória do PS nas primeiras eleições legislativas realizadas em 1976, foi nomeado Primeiro-Ministro do I Governo Constitucional (1976-77), tendo também presidido ao II (1978). Neste período, foi necessário enfrentar e resolver uma situação de quase ruptura financeira e de paralisia das actividades económicas do país, ultrapassada mediante a aplicação de um programa de estabilização e rigor, negociado com o FMI, graças ao qual foi possível celebrar um "grande empréstimo" e voltar a pôr a economia a funcionar. Foi ainda durante o I Governo Constitucional que se procedeu à integração, com pleno êxito, de quase um milhão de portugueses retornados das ex-colónias. Durante 1976 e 1977 foram também aprovadas as primeiras leis que deram forma ao novo Estado de Direito (código civil, lei da delimitação dos sectores, lei de bases da reforma agrária, etc.) e começaram a funcionar, com regularidade, os mecanismos institucionais previstos na Constituição de 1976. Rompido que foi, por denúncia unilateral do CDS, o acordo político de incidência governamental em que assentava o II Governo Constitucional e demitido o Executivo pelo então Presidente da República, general Ramalho Eanes, Mário Soares liderou a oposição entre 1978 e 1983, tendo sido durante esse período viabilizada a primeira revisão da Constituição da República, na qual se empenhou fortemente. Esta revisão constitucional eliminou finalmente a tutela político-militar do Conselho da Revolução, que vinha dos primeiros tempos da Revolução, e consagrou o carácter civilista, pluripartidário e de tipo ocidental do regime. Foi então criado o Conselho de Estado, para o qual Mário Soares foi eleito pelo Parlamento.
Após nova dissolução da Assembleia da República, ocorrida em 1983, e na sequência das eleições legislativas que voltaram a dar a vitória ao PS, foi nomeado Primeiro-Ministro do IX Governo Constitucional, com base numa coligação partidária PS/PSD (1983-85). Este Governo viu-se confrontado também com uma dramática situação financeira e uma crise generalizada, que o levaram a pôr em prática um novo plano de emergência e recuperação que restabeleceu os equilíbrios financeiros externos. Coube ainda ao IX Governo Constitucional ultimar o processo de adesão de Portugal à CEE, conduzir as últimas negociações e assinar o Tratado de Adesão, em Junho de 1985.
Apesar de o PS ter perdido as eleições de Outubro de 1985, realizadas por força de nova dissolução da Assembleia da República, em consequência do rompimento, pelo PSD, da coligação PS/PSD, Mário Soares candidatou-se às eleições presidenciais, previstas para Janeiro de 1986. Teve o apoio de independentes e do PS (na 1ª volta) e de toda a esquerda (na 2ª volta), tendo sido eleito em 16 de Fevereiro, por cinco anos. Foi o primeiro Presidente civil eleito directamente pelo povo, na história portuguesa. Renunciou então aos seus cargos de Secretário-Geral do PS e de deputado, tendo tomado posse e prestado juramento no dia 9 de Março de 1986.
Em 13 de Janeiro de 1991 foi reeleito Presidente da República, logo à 1ª volta, tendo obtido a maior votação de sempre para esse cargo: 3 460 381 votos (70,40% dos votos validamente expressos), tendo terminado o seu segundo mandato em 9 de Março de 1996.
Tornou-se membro do Conselho de Estado em 1996, por inerência.
Em 1999 foi eleito Deputado ao Parlamento Europeu, tendo cumprido toda a legislatura (1999-2004).
Em 2006 concorreu, de novo, a Presidente da República, pelo PS, tendo perdido as eleições para Aníbal Cavaco Silva, entretanto reeleito para um segundo mandato.
Outras actividades em Portugal
Em 10 de Março de 1996 assumiu a presidência da Fundação que havia sido fundada em 1991 com o seu nome e, em 1997, foi eleito presidente da Fundação Portugal-África.
Foi presidente: do Conselho de Patronos da Fundação Arpad-Szenes/Vieira da Silva (1994-2013); da Comissão de Investigação sobre as transacções de ouro efectuadas entre as autoridades portuguesas e alemãs durante o período compreendido entre 1936 e 1945 (1998); da Comissão de Honra para as Comemorações dos 500 anos da viagem de Pedro Álvares Cabral (1998); da Comissão Nacional das Comemorações do 50º aniversário da Declaração Universal dos Direitos do Homem, em celebração da Década das Nações Unidas para a educação em matéria dos Direitos do Homem (1998) e da Comissão da Liberdade Religiosa (2007-2011).
Foi também Professor Catedrático Convidado da cadeira de "Relações Internacionais" da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra nos anos lectivos 1996-97 e 1997-98 e Professor Convidado da Universidade Lusófona da cadeira de "Socioeconomia Política da União Europeia" no ano lectivo de 2001-02.
Foi membro honorário da Academia das Ciências de Lisboa, da Sociedade Portuguesa de Autores, da Sociedade Portuguesa de Escritores, Presidente Honorário do Conselho de Patronos da Fundação Arpad Szennes/Vieira da Silva e membro do Júri do Prémio Pessoa.
Acção Internacional
Como Secretário-Geral do PS e Vice-Presidente da Internacional Socialista (IS) - cargo para que foi eleito no Congresso de Genève, em 1976, e depois sucessivamente reeleito até ser nomeado Presidente Honorário em 1986 - Mário Soares desenvolveu uma intensa actividade internacional. Foi presidente das Comissões da IS para o Médio-Oriente e para a América Latina, tendo realizado várias missões de informação àquelas zonas e bem assim à África Austral. Participou em numerosas negociações, encontros, colóquios, congressos e missões no quadro da Internacional Socialista e fora dele.
De entre a actividade internacional desenvolvida no exercício de cargos públicos, destaca-se: como Ministro dos Negócios Estrangeiros, o estabelecimento de relações diplomáticas com todos os países do Mundo e o início oficial do processo de descolonização nos encontros de Dakar, com Aristides Pereira, antigo Presidente da República Popular de Cabo Verde, e de Lusaka, com Samora Machel, malogrado Presidente da República Popular de Moçambique; como Primeiro-Ministro, o impulso inicial dado ao processo de adesão de Portugal à CEE, em Março de 1977 (I Governo Constitucional), o começo das negociações com o FMI para a recuperação da economia portuguesa (II Governo Constitucional) e a consagração da opção europeia com a assinatura, em simultâneo com a Espanha, do Tratado de Adesão, em 12 de Junho de 1985 (IX Governo Constitucional); como Presidente da República, a defesa intransigente do respeito pelos direitos dos homens e dos povos, de que Timor-Leste constituía então uma referência portuguesa dramática, a frontalidade assumida em visitas oficiais e cimeiras de Chefes de Estado e de Governo na denúncia dos regimes que se afastavam do modelo proposto pela Carta da ONU para o desenvolvimento e a intervenção permanente no sentido de a dimensão atlântica encontrar forma numa comunidade de povos de expressão portuguesa, reaproximando o Brasil dos novos conceitos estratégicos nacionais.
Foi presidente da Comissão Mundial Independente Sobre os Oceanos (1995-1998), do Movimento Europeu Internacional (1997-1999), de que em seguida se tornou presidente honorário, do Comité dos Sábios para a Reestruturação do Conselho da Europa (1997-1998), da Missão de Informação sobre a situação da Argélia, por nomeação do Secretário-Geral das Nações Unidas (1998), da Delegação do Parlamento Europeu para as relações com Israel (2002), de que se demitiu no mesmo ano, e da Inter-Press Service (2002-2008).
Foi "Chubbs Fellowship" da Universidade de Yale (EUA), desde 1976; membro correspondente da Academia Brasileira de Letras, desde 1987; membro honorário do Claustro de Professores da Faculdade de Direito da Universidade de Vigo (Espanha).
Foi Vice-Presidente da Academia da Latinidade (Brasil) e membro de várias instituições, designadamente: Academia do Reino de Marrocos; Academie des Sciences d’Outre-Mer (França); Academie de Marine (França); Comité Europeu de Orientação "Notre Europe" (fundado por Jacques Delors), desde 1997; Fundação Gorbachev, desde 1997; Instituto Shimon Peres para a Paz, desde 1997; Conselho Consultivo Internacional da Fundação Paz e Democracia Monsenhor Martinho da Costa Lopes (Timor-Leste), desde 1997; Fundação para uma Cultura de Paz, UNESCO, (presidida por Federico Mayor Zaragoza), desde 1998; Clube de Roma, desde 1998; Clube de Asunción, desde 1998; Conselho de Patronos da Fundación Caixa Galicia, desde 1998; Fundación ONCE para a América Latina, desde 1998; Fundação Adberrahim Bouabid pour les Sciences et la Culture, desde 1998; Fundación Euroamérica, desde 1999; Fundación General de la Universidad de Salamanca, desde 2000; Fórum Mundial de Redes-UBUNTO (presidido por Frederico Mayor Zaragoza), desde 2001; Clube de Madrid, desde 2001; Clube do Mónaco para o Diálogo Mediterrânico (presidido por Boutros-Boutros Ghali), desde 2001; New Policy Forum (antigo World Political Forum), presidido por Mikhail Gorbachev, desde 2010; Green Cross International (presidida por Alexander Likhotal), desde 2003; Organisation Internationale de la Francophonie, desde 2003; Fórum de Biarritz (Encontros Europa-América Latina), desde 2003; Grupo EU-Turkey Relations, Centre for the Study of Global Governance and the Open Society Institute, desde 2007; International Board of Trustees da Inter-Press Service (IPS), desde 2008; Global Advisory Board for a new project "Global Climate Change, Human Security and Democracy", Universidade da Califórnia, desde 2010 e The Mikhail Gorbachev Award, desde 2011.de várias instituições, designadamente: da Academia do Reino de Marrocos; da Académie des Sciences d’Outre-Mer (França); da Académie de Marine (França); do Comité Europeu de Orientação "Notre Europe" (fundado por Jacques Delors e actualmente presidido por Tommaso Padoa- Schioppa), desde 1997; da Fundação Gorbachev, desde 1997; do Instituto Shimon Peres para a Paz, desde 1997; do Conselho Consultivo Internacional da Fundação Paz e Democracia Monsenhor Martinho da Costa Lopes (Timor-Leste), desde 1997; da Fundação para uma Cultura de Paz, UNESCO, (presidida por Federico Mayor Zaragoza), desde 1998; do Clube de Roma, desde 1998; do Clube de Asunción, desde 1998; do Conselho de Patronos da Fundación Caixa Galicia, desde 1998; da Fundación ONCE para a América Latina, desde 1998; da Fundação Adberrahim Bouabid pour les Sciences et la Culture, desde 1998; da Fundación Euroamérica, desde 1999; da Fundación General de la Universidad de Salamanca, desde 2000; do Fórum Mundial de Redes-UBUNTO (presidido por Frederico Mayor Zaragoza), desde 2001; do Clube de Madrid, desde 2001; do Clube do Mónaco para o Diálogo Mediterrânico (presidido por Boutros-Boutros Ghali), desde 2001; do New Policy Forum (antigo World Political Forum), presidido por Mikhail Gorbachev, desde 2010; da Green Cross International (presidida por Alexander Likhotal), desde 2003; da Organisation Internationale de la Francophonie, desde 2003; do Fórum de Biarritz (Encontros Europa-América Latina), desde 2003; do Grupo EU-Turkey Relations, Centre for the Study of Global Governance and the Open Society Institute, desde 2007; do International Board of Trustees da Inter-Press Service (IPS), desde 2008; do Global Advisory Board for a new project "Global Climate Change, Human Security and Democracy", Universidade da California, desde 2010.
Foi presidente do Comité Promotor do Contrato Mundial da Água desde Janeiro de 1998, Patrono do International Ocean Institute (IOI), desde 2009 e presidiu ao Júri do Prémio Félix Houphouët-Boigny, da UNESCO, desde o início de 2010.
António Reis nasceu no Funchal em 1949, tendo concluído em 1972 a licenciatura em Engenharia Civil pelo Instituto Superior Técnico (IST), em Lisboa, Portugal. Em 1977 concluiu o Doutoramento (PhD) na Universidade de Waterloo – Canadá, tendo realizado a sua agregação pelo IST em 1981. Em 1980 é ainda designado investigador convidado, Science Research Fellow, pela Universidade de Surrey na Inglaterra.
Foi Professor Catedrático do Departamento de Engenharia Civil do IST desde 1985, tendo sido o responsável pelo núcleo de disciplinas de Pontes e Estruturas Especiais. Foi também Vogal do Conselho Superior de Obras Públicas e Transportes e Presidente do Departamento de Engenharia Civil do IST entre 1996-98. É ainda Professor Convidado da EPFL, Lausanne- Suíça e Membro Conselheiro da Ordem dos Engenheiros, sendo também representante nacional para o eurocódigo de Estruturas de Aço.
Iniciou a sua actividade profissional em 1972, tendo estado sempre ligado ao projecto, ao ensino e à investigação no domínio das pontes e estruturas especiais. Em 1980 fundou a empresa GRID – Consultas, Estudos e Projectos de Engenharia, Lda, hoje denominada GRID International - Consulting Engineers.
Desenvolveu a sua actividade de estudos e projecto a nível nacional e internacional em cerca de 20 países, na Europa, África, Ásia e Médio Oriente, tendo sido responsável pela concepção e direcção técnica de variadíssimas pontes e estruturas especiais, nomeadamente, pontes construídas por avanços sucessivos, pontes de tirantes e coberturas de grande vão para estádios.
No decorrer da sua intensa actividade Professional, recebeu vários prémios e menções honrosas pela sua actividade técnico-cientifica, nomeadamente, o Prémio Sécil de Engenharia Civil 1997, pelo projecto da Ponte João Gomes, Prémio da Academia Real das Ciências da Bélgica em 2002, pelas suas “contribuições para as técnicas de construção de pontes e engenharia civil”, Prémio da European Convention for Construction Steelwork (ECCS) atribuído em 2005 à cobertura metálica do estádio do Dragão, Prémio da European Convention for Construction Steelwork (ECCS), atribuído em 2008 ao trabalho” Extending the lifespan of Luiz I Bridge in Oporto”, cujos projectos foram da sua responsabilidade e Prémios da IABSE e ICE (2014). Foi também Condecorado com a Comenda da Ordem de Mérito Profissional (2006), atribuída pela Presidência da República Portuguesa.
Licenciatura em Arquitetura - antiga Escola Superior de belas Artes de Lisboa
Filho de Arnaldo Sampaio, médico, especialista em Saúde Pública, e de Fernanda Bensaude Branco de Sampaio, professora particular de inglês. É casado com Maria José Ritta e tem dois filhos, Vera e André.
Desde a infância, fez estudos musicais e, por imperativo da carreira do pai, passou largo tempo nos EUA e em Inglaterra, experiência que o marcou profundamente. Frequentou os estudos secundários nos liceus Pedro Nunes e Passos Manuel.
Em 1961, licenciou-se em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Na Universidade, desenvolveu uma relevante actividade académica, iniciando, assim, uma persistente acção política de oposição à Ditadura. Foi eleito Presidente da Associação Académica da Faculdade de Direito, em 1960-61, e Secretário-Geral da Reunião Inter Associações Académicas (RIA), em 1961-62. Nessa qualidade, é um dos protagonistas da crise académica do princípio dos anos 60, a qual esteve na origem de um longo e generalizado movimento de contestação estudantil, que durou até ao 25 de Abril de 1974, e que abalou profundamente o Regime.
Deu, entretanto, início a uma intensa carreira de advogado, que se estendeu por todos os ramos de Direito, tendo desempenhado, igualmente, funções directivas na Ordem dos Advogados. Teve um papel de relevo na defesa de presos políticos no Tribunal Plenário de Lisboa.
Prosseguindo a sua acção como opositor à Ditadura, candidatou-se, em 1969, às eleições para a Assembleia Nacional, integrando as listas da CDE. Desenvolve uma constante actividade política e intelectual, participando nos movimentos de resistência e na afirmação de uma alternativa democrática de matriz socialista, aberta aos novos horizontes do pensamento político europeu.
Após a Revolução do 25 de Abril de 1974, é um dos principais impulsionadores da criação do Movimento de Esquerda Socialista (MES), do qual se desvincula, todavia, logo no congresso fundador em Dezembro do mesmo ano, por discordância de fundo com a orientação ideológica aí definida.
Desempenha, nos anos da Revolução, um importante papel no diálogo com a ala moderada do MFA, sendo um activo apoiante das posições do “Grupo dos Nove”. Em Março de 1975, é nomeado Secretário de Estado da Cooperação Externa, no IV Governo Provisório.
Ainda em 1975, funda a “Intervenção Socialista”, grupo constituído por políticos e intelectuais, que viriam a desempenhar funções de relevo na vida pública, e que desenvolveu um significativo trabalho de reflexão e renovação política.
Em 1978, Jorge Sampaio adere ao Partido Socialista (PS). Em 1979, é eleito deputado à Assembleia da República, pelo círculo de Lisboa e passa a integrar o Secretariado Nacional do PS.
De 1979 a 1984, é membro da Comissão Europeia dos Direitos do Homem no Conselho da Europa, realizando aí um importante trabalho na defesa dos Direitos Fundamentais e contribuindo para uma aplicação mais dinâmica dos princípios contidos na Convenção Europeia dos Direitos do Homem. É reeleito deputado à Assembleia da República em 1980, 1985, 1987 e 1991. Em 1987/88 é Presidente do Grupo Parlamentar do Partido Socialista, tendo assumido, em 1986-87, a responsabilidade das Relações Internacionais do PS. Foi ainda co-Presidente do “Comité África” da Internacional Socialista.
No ano de 1989, é eleito Secretário-Geral do Partido Socialista, cargo que exerce até 1991, e é designado, pela Assembleia da República, como membro do Conselho de Estado.
Em 1989, decide concorrer à presidência da Câmara Municipal de Lisboa, cargo para o qual é, então eleito e depois reeleito em 1993. Esta candidatura assumiu, na altura, um grande significado político e contribuiu para dar às eleições autárquicas um relevo nacional. Como Presidente da Câmara de Lisboa, e à frente de uma equipa, afirmou uma visão estratégica, com recurso a novas concepções e métodos de planeamento, gestão, integração e desenvolvimento urbanístico.
De 1990 a 1995, exerce a Presidência da União das Cidades de Língua Portuguesa (UCCLA), sendo eleito Vice-Presidente da União das Cidades Ibero-Americanas, em 1990. Foi também eleito Presidente do Movimento das Eurocidades (1990) e Presidente da Federação Mundial das Cidades Unidas (1992).
Em 1995, Jorge Sampaio apresenta a sua candidatura às eleições presidenciais. Recebe o apoio de inúmeras personalidades, independentes e de outras áreas políticas, com destaque na vida política, cultural, económica e social, e do Partido Socialista. Em 14 de Janeiro de 1996, é eleito à primeira volta. Foi investido no cargo de Presidente da República no dia 9 de Março de 1996, prestando juramento solene. Cumpriu o seu primeiro mandato exercendo uma magistratura de iniciativa na linha do seu compromisso eleitoral. Apresentou-se de novo e voltou a ser eleito à primeira volta, em 14 de Janeiro de 2001, para um novo mandato.
Jorge Sampaio manteve, ao longo dos anos, uma constante intervenção político-cultural, nomeadamente através da presença assídua em jornais e revistas (Seara Nova, O Tempo e o Modo, República, Jornal Novo, Opção, Expresso, O Jornal, Diário de Notícias e Público, entre outros).
Em 1991, publicou, sob o título A Festa de Um Sonho, uma colectânea dos seus textos políticos. Em 1995, é editado o seu livro Um Olhar sobre Portugal, no qual responde a personalidades de vários sectores da vida nacional, configurando a sua perspectiva dos problemas do País. Em 2000, publica o livro Quero Dizer-vos, em que expõe a sua visão actualizada dos desafios que se põem à sociedade portuguesa. As suas intervenções presidenciais foram reunidas nos livros Portugueses I-X.
Em Abril de 2006 tomou posse como Conselheiro de Estado, na sua qualidade de antigo Presidente da República.
Em Maio de 2006 foi designado Enviado Especial do Secretário-Geral das Nações Unidas para a Luta contra a Tuberculose e, em Abril de 2007, foi nomeado, pelo Secretário-Geral das Nações Unidas, Alto Representante para a Aliança das Civilizações.
É também Presidente do Conselho Consultivo da Universidade de Lisboa (Fev. 2007).
O Ginásio Clube Português é um clube vanguardista com uma tradição de 140 anos sendo pioneiro no conceito de clube com finalidades desportivas, sociais e culturais.
Tendo por missão "o bem-estar do sócio" e para fazer jus à mesma, apresenta um conjunto alargado de mais de 50 actividades que possibilitam a prática de actividade física dos 0 aos 90 anos.
Formação: Liceu de Castelo Branco (1942-1952); Escola do Exército (1952-1956); Estágio CIOE (Curso de Instrução de Operações Especiais) (1962); Estágio de Instrutor Ação Psicológica no Instituto de Altos Estudos Militares (1969); Faculdade de Direito de Lisboa (Ciência Política e Direito Constitucional); Instituto Superior de Psicologia Aplicada (3 anos).
Profissão: Oficial de Infantaria - alferes (1957); tenente (1959); capitão (1961); graduado a major (1970); major (1973); tenente-coronel (1974); coronel (1976); graduado general (1975) e general (1976).
Após a conquista pelos cristãos em 1149, Lisboa recebe finalmente a carta de foral em 1179. A formação e consolidação da nacionalidade [séc. XII], após a conquista definitiva do Alentejo e do Algarve, faz com que Lisboa, a par do aumento de população, vá adquirindo centralidade e importância e se afirme como capital do reino [D. Afonso III - 1256].
A cidade continuou a expandir-se para além dos limites marcados pelas muralhas, descendo sempre a colina em direção a Alfama e à zona da atual “Baixa”. Foram construídas as primeiras igrejas e a Sé, as quais ficaram inseridas nos novos limites da cidade, no interior da nova muralha entretanto concluída.
Nas Memórias de Lisboa, Rómulo de Carvalho, de uma forma breve e rica conduz-nos pelo ambiente desta cidade até ao Terramoto de 1775: “Nos primeiros séculos da nacionalidade toda a zona que vai atualmente desde o Largo do Pelourinho, passando pelo Terreiro do Paço, até alturas da Conceição Velha, era uma extensa e larga praia, ao norte da qual a pequena cidade se acumulava nas encostas das colinas sobranceiras ao Tejo. O local prestava-se, otimamente, para incursões de piratas pelo que D. Dinis, em 1294, mandou construir uma muralha a todo o comprimento da referida praia, com fortes torres, robustas paredes e portas espessas, bem aferrolhadas […]
O crescimento de Lisboa para fora da cerca fernandina fez com que D. João IV sentisse a necessidade de dotar Lisboa de uma proteção mais eficaz, pelo que ordena a elaboração de um projeto geral de fortificação que acompanhasse os novos limites da cidade que iam desde Santa Apolónia até Alcântara, passando pelos Prazeres, Campolide, Estrela e os Capuchos.
O crescimento demográfico a que se assistiu no século XVI continuou no século XVII e levou os monarcas a ordenar que a expansão da cidade se fizesse de forma regrada e organizada.
Com a subida ao trono de D. João V no início do século XVIII começam os trabalhos de engrandecimento da capital, suportados pelas riquezas que vinham do Brasil. O rei procurava, por um lado responder aos problemas de que Lisboa padecia em termos urbanísticos e, por outro lado tentava fazer de Lisboa a digna capital do Império. É neste contexto que surgem grandes obras de melhoramentos da cidade, nomeadamente do Aqueduto das Águas Livres.
Perto do Paço, D. João V mandou construir [1716] a sumptuosa catedral Metropolitana e Patriarcal de Lisboa [mais ou menos onde se encontra hoje a Igreja de São Julião].
D. José manda construir a Casa da Ópera [1753], de 120 m de frente [correspondente ao edifício do arsenal da Marinha na parte voltada para o Largo do Pelourinho]. Assim era a extensa zona ocupada pelo Paço da Ribeira e edificações anexas, às 9 horas e 40 minutos da manhã de sábado, dia 1 de novembro de 1755.”.
Fernando Coutinho da Silveira Ramos, nasceu em Lisboa em Maio de 1941, tendo-se licenciado em Engenharia Civil, pelo Instituto Superior Técnico, em 1966.